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YogaProjection

Mantenha o Eu, o Yoga adapta-se. ∞ Keep the Self, Yoga adapts.

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Mantenha o Eu, o Yoga adapta-se. ∞ Keep the Self, Yoga adapts.

Yoga no dia-a-dia #3

Há umas semanas atrás, pela altura da Páscoa, recebi uma aula de Yoga na minha terra natal.

 

Quem visse de fora poderia equivocar-se, achando que era eu quem estava a dar a aula aos meus conterrâneos, mas não, recebi.

 

Saí da alegre vila de Alcains há 15 anos e, hoje em dia, as minhas visitas prendem-se com as festividades. Cada vez que lá vou e cheiro aqueles cheiros, volto com a promessa gravada de visitas mais regulares. Promessas vãs, deverei admitir. Se há uns anos as visitas espaçavam um mês, hoje atingem os seis.

 

Não há uma explicação plausível para este fenómeno.

 

É uma terra quente, até no Inverno. É colorida, até nos dias cinzentos. As pessoas falam umas com as outras (até falam mal umas das outras, veja-se lá!), mas falam. Param na rua e trocam aqueles dois dedos de conversa inútil que só deixa solitário quem efetivamente o quiser ser.

 

Sou uma filha (desgarrada) da terra. Ainda assim, esta terra não me esquece. Não há vez nenhuma que lá vá que não me cumprimente, amistosa. Fugi-lhe por ter sonhos de anonimato, mas nunca consegui que ela me respeitasse a este nível.

 

Conhece-me desde sempre e conhece-me no âmago das criancices, das meninices e também das ‘adolescentices’. Louvou-me e censurou-me tantas vezes quanto precisei. Apontou-me o dedo e fez-me morrer de vergonha em muitas manhãs tristes que sucederam noites alegres.

 

Quando, 15 anos depois sou desafiada a levar o Yoga à minha terra natal, é-me permitido vê-la em toda uma nova perspetiva. À minha frente, tenho pessoas de todas as idades. A maioria não me conhece. A maioria não conhece o Yoga. Há ainda pessoas que há 20 anos pertenciam a outros grupos, a quem eventualmente, no auge da época da ausência de filtro, terei tecido algum comentário menos simpático. E ali estou eu. A ser tão acarinhada. A ser tão mimada. A ser tão bem-recebida pela minha terra natal.

 

A palavra Yoga significa união. O Yoga une.

 

Quando nos predispomos a entrar numa aula de Yoga, estamos à partida, a deixar à porta uma grande fatia do nosso ego. Quando temos a coragem de reunir com um grupo de pessoas que não conhecemos e, simplesmente confiar que alguém vai tomar conta de nós, estamos a abdicar de outra grande parte do nosso ego. É por isso que o Yoga começa bem antes de estender o tapete. Com estas pessoas começou quando decidiram experimentar. Quando não questionaram quem estaria presente ou quem era a professora. Não interessa. Foram. Confiaram. O Yoga expressou-se na vida destas pessoas, muito antes de descalçarem os sapatos. E foram um sucesso. Estas pessoas deram-me uma verdadeira lição de Yoga.

 

Agradeço a cada uma e ao todo. Agradeço às proactivas e tão carinhosas organizadoras do encontro, e agradeço ao espaço que tão gentilmente nos acolheu.

 

Um grande bem-haja por esta belíssima aula de Yoga que me deram.

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