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YogaProjection

Mantenha o Eu, o Yoga adapta-se. ∞ Keep the Self, Yoga adapts.

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Mantenha o Eu, o Yoga adapta-se. ∞ Keep the Self, Yoga adapts.

Quês & Porquês que surgem em sala #2

Há uns dias, no final de uma aula, uma praticante dizia-me: “Bem sei que não devia, mas enquanto estava a fazer a aula, não paravam de me surgir ideias, até me apetecia ter ali uma folha de papel e um lápis para tomar notas!”. E dizia-me isto enquanto se ajoelhava e escrevia afincada e resolutamente no seu caderno de notas!

 

Eu, confesso, achei aquilo tudo muito bem! Primeiro, porque considero não haver certos ou errados na prática, portanto, uma forma apropriada de praticar que não a de se entregar ao que vier e segundo, porque fomentar a criatividade e o entusiamo é, na minha opinião, um dos objetivos da própria prática de Yoga.

 

Foi neste contexto, de ideias efervescentes, que surgiu a seguinte: “Inês, fala-me sobre como é que o Yoga pode ajudar os jovens universitários ou prestes a ingressar no Ensino Superior”. Mais tarde percebi que ela era a responsável por uma revista destinada a este público-alvo.

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“Antes de mais, muito grata pela oportunidade de levar o Yoga. Aonde? Não sabemos, mas estamos a dar-lhe uma oportunidade de ir…. A qualquer lado. Onde quer que chegue, é ganho. Grata por isso.

 

Eu serei sempre suspeita para falar dos benefícios do Yoga uma vez que o integrei como filosofia de vida. Por esse motivo, e porque apesar disso tento sempre distanciar-me da demagogia associada que o aponta, muitas vezes, como a panaceia universal, vou apontar-te apenas aquilo que poderás experienciar, tu e qualquer jovem universitário.

 

Disciplina. Comecemos por compreender a importância de criar compromissos e de os respeitar. O Yoga começa com a intenção de praticar Yoga. A intenção de sair de algum local, num dado momento, e nos dirigirmos a outro, a fim de despendermos o nosso tempo em algo que considerámos que iria acrescentar valor ao nosso momento presente.  Não iremos sempre alegres e contentes ao Yoga. Dias haverão, em que será inclusivamente a última coisa que nos apetecerá fazer. E aí, entra a disciplina. A mente clara que nos faz distinguir entre o que queremos (ou não queremos) e o que em algum momento decidimos que era para fazer. E seguimos para a aula. E fazemo-la. E, invariavelmente, saímos de lá melhor do que entrámos. (Que mais não seja pela sensação de missão cumprida que fica). Acredito que esta disciplina mental possa vir a ser útil, aquando a chegada da doce época de exames e trabalhos.

 

Exercício físico. O Yoga é um todo e querer reduzi-lo às asanas (posturas físicas), é redutor e pouco qualificante. Apesar disso, é precisamente isso que vou fazer neste parágrafo. Escusar-me-ei de momento a aprofundar o equilíbrio entre a energia feminina e masculina que o Yoga proporciona, ou à união corpo, mente e espírito que é facilitada, ou ainda à forma como permite que a nossa energia vital, o prana, circule pelos nossos canais energéticos, nadis, e equilibre os nossos principais centros de energia, chackras! Não, não vou falar sobre isso. Refiro antes, anteflexões, retroflexões, torções, flexões laterais e inversões. Refiro o trabalho de mobilidade articular, de flexibilidade e força muscular, e o senso de equilíbrio que se alcança através da prática regular de asanas (vulgo, Yoga). Por fim, uma referência à reeducação respiratória que permitirá gerir melhor o esforço e favorecer recuperações mais rápidas do mesmo. Optando, deliberadamente, por encarar o Yoga como uma prática física, fácil será compreender como agirá como um antídoto ao sedentarismo, apresentando benefícios generalistas como a melhoria da função cardiovascular e respiratória, a diminuição da massa gorda e manutenção ou aumento da massa muscular, a prevenção da osteoporose, o aumento da resistência de tendões e ligamentos, a melhoria da função imunitária, dos estados de depressão e ansiedade, etc.

 

Relaxamento. Quando faço menção ao relaxamento não me cinjo ao relaxamento físico que, por norma, é incluído em todas as sessões de Yoga. Se esse é de vital importância para permitir ao corpo recuperar do esforço despendido e integrar a prática, é o relaxamento mental que ocorre durante toda a aula que, suponho, seja o mais relevante. Não é algo que se alcance nas primeiras aulas, não é sequer algo que consigamos em todas aulas. É, sem dúvida, algo que quando sentido é compreendido. O desapegar mental do que nos espera lá fora e a sua relativa perda de importância. A permissão de concentração absoluta no Eu durante aquele tempo que é unicamente nosso. Este relaxamento mental, esta atenção plena ao momento presente, é o que nos faz lograr uma mente sadia, essencial para gerir qualquer situação de stress, tensão ou simplesmente, exigente.

 

E não me alongo mais no elenco! Espero que possamos trazer muitos jovens às salas de Yoga!”

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Yoga no dia-a-dia #3

Há umas semanas atrás, pela altura da Páscoa, recebi uma aula de Yoga na minha terra natal.

 

Quem visse de fora poderia equivocar-se, achando que era eu quem estava a dar a aula aos meus conterrâneos, mas não, recebi.

 

Saí da alegre vila de Alcains há 15 anos e, hoje em dia, as minhas visitas prendem-se com as festividades. Cada vez que lá vou e cheiro aqueles cheiros, volto com a promessa gravada de visitas mais regulares. Promessas vãs, deverei admitir. Se há uns anos as visitas espaçavam um mês, hoje atingem os seis.

 

Não há uma explicação plausível para este fenómeno.

 

É uma terra quente, até no Inverno. É colorida, até nos dias cinzentos. As pessoas falam umas com as outras (até falam mal umas das outras, veja-se lá!), mas falam. Param na rua e trocam aqueles dois dedos de conversa inútil que só deixa solitário quem efetivamente o quiser ser.

 

Sou uma filha (desgarrada) da terra. Ainda assim, esta terra não me esquece. Não há vez nenhuma que lá vá que não me cumprimente, amistosa. Fugi-lhe por ter sonhos de anonimato, mas nunca consegui que ela me respeitasse a este nível.

 

Conhece-me desde sempre e conhece-me no âmago das criancices, das meninices e também das ‘adolescentices’. Louvou-me e censurou-me tantas vezes quanto precisei. Apontou-me o dedo e fez-me morrer de vergonha em muitas manhãs tristes que sucederam noites alegres.

 

Quando, 15 anos depois sou desafiada a levar o Yoga à minha terra natal, é-me permitido vê-la em toda uma nova perspetiva. À minha frente, tenho pessoas de todas as idades. A maioria não me conhece. A maioria não conhece o Yoga. Há ainda pessoas que há 20 anos pertenciam a outros grupos, a quem eventualmente, no auge da época da ausência de filtro, terei tecido algum comentário menos simpático. E ali estou eu. A ser tão acarinhada. A ser tão mimada. A ser tão bem-recebida pela minha terra natal.

 

A palavra Yoga significa união. O Yoga une.

 

Quando nos predispomos a entrar numa aula de Yoga, estamos à partida, a deixar à porta uma grande fatia do nosso ego. Quando temos a coragem de reunir com um grupo de pessoas que não conhecemos e, simplesmente confiar que alguém vai tomar conta de nós, estamos a abdicar de outra grande parte do nosso ego. É por isso que o Yoga começa bem antes de estender o tapete. Com estas pessoas começou quando decidiram experimentar. Quando não questionaram quem estaria presente ou quem era a professora. Não interessa. Foram. Confiaram. O Yoga expressou-se na vida destas pessoas, muito antes de descalçarem os sapatos. E foram um sucesso. Estas pessoas deram-me uma verdadeira lição de Yoga.

 

Agradeço a cada uma e ao todo. Agradeço às proactivas e tão carinhosas organizadoras do encontro, e agradeço ao espaço que tão gentilmente nos acolheu.

 

Um grande bem-haja por esta belíssima aula de Yoga que me deram.

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