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YogaProjection

Mantenha o Eu, o Yoga adapta-se. ∞ Keep the Self, Yoga adapts.

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Mantenha o Eu, o Yoga adapta-se. ∞ Keep the Self, Yoga adapts.

Quês & Porquês que surgem em sala #1

Eu sei muito pouco sobre tudo!

 

Por esse motivo, sempre que uma voz se faz, e muito bem, ouvir iniciando uma frase por ‘Explica lá’ ou ‘Sabes se’ ou ainda, ‘Porque é que’, sou altamente cuidadosa nas respostas e, quase sempre, parca.

 

Instalou-se, um dia destes, a confusão entre o lado direito e o lado esquerdo. Claro, não estivéssemos nós o tempo todo a tentar equilibrá-los. De qualquer forma, a questão, desta feita, não se prendia tanto a este equilíbrio ténue, mas antes, à sua associação à energia feminina e masculina.

 

“Se, em termos cerebrais, o lado esquerdo é associado à racionalidade e o lado direito à criatividade, porque dizes que o nosso lado esquerdo está associado à nossa energia feminina e o lado direito à nossa energia masculina?”

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Bom, a explicação é simples e lógica, mas naquele momento, bem me baralhei. Ainda me agarrei ao calo da escrita para tentar não me perder de qual era a esquerda e a direita, mas a dada altura, a criatividade já entrava no domínio esquerdo da energia masculina. Uma confusão!

 

Simplificando!

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- O hemisfério cerebral direito, coordena e controla o lado esquerdo do nosso corpo;

 

- O hemisfério cerebral esquerdo, coordena e controla o lado direito do nosso corpo.

 

 

 

 

Podemos referir, grosso modo, que:

 

- O hemisfério cerebral direito tem, tradicionalmente, associadas características como: não-verbal, relacional, livre, imaginativo, simultâneo, múltiplo, holístico, subjectivo e qualitativo. Este hemisfério será então, o responsável pelo pensamento intuitivo-imaginativo, criativo, pela mente emocional, a que sente.

 

- O hemisfério cerebral esquerdo tem, tradicionalmente, associadas características como: verbal, analítico, dirigido, sucessivo, sequencial, linear, objectivo, digital e quantitativo. Este hemisfério será então, o responsável pelo pensamento racional-verbal, cronológico, é a mente racional, a que pensa.

 

Por fim, no Yoga, temos que:

 

- O lado esquerdo do nosso corpo (controlado pelo hemisfério cerebral direito) está associado à nossa energia feminina, responsabilizando-se pelo nosso lado sentimental, filosófico, espiritual, pensando no hoje, no aqui e no agora. Está associado à energia da Lua (Tha [i]), da noite, do frio, do negativo, do Yin [ii], etc.;

 

- O lado direito do nosso corpo (controlado pelo hemisfério cerebral esquerdo) está associado à nossa energia masculina, responsabilizando-se pelo nosso lado lógico, matemático, científico, reconhecedor de padrões, estratega. Está associado à energia do Sol (Ha), do dia, do quente, do positivo, do Yang, etc.

 

Concluindo, o Hatha Yoga visa o equilíbrio entre estas duas forças, energias, princípios, através do domínio do corpo e da respiração, quer seja através do desenvolvimento de igual força e flexibilidade de ambos os lados, quer seja através da indução dos dois hemisférios cerebrais, a um funcionamento equilibrado, de modo a que, o lado lógico, matemático, e o lado criativo, intuitivo, sejam estimulados a trabalhar em harmonia e com igual eficiência.

 

(Mas ninguém disse que era fácil!)

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[i] Tha significa Lua em sânscrito, e Ha significa Sol = Hatha

[ii] Yin e Yang é um princípio da filosofia chinesa, onde yin é o princípio passivo, feminino, noturno, escuro e frio e yang é o princípio ativo, masculino, diurno, luminoso e quente. São duas energias opostas e essenciais, que expõem a dualidade em tudo que existe no universo.

 

 

Yoga no dia-a-dia #1

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Ontem tive o meu primeiro acidente.

Sim, uma casualidade não essencial (como tão bem define o Priberam), com direito a fila de trânsito, buzinadelas, pessoas aborrecidas a sair do carro e a gesticular e, claro, polícia.

O carro que circulava à minha frente abriu pisca à esquerda e parou e eu parei atrás dele. A um metro, se tanto. E eis que, vejo acenderem-se as luzes de marcha atrás e as minhas pernas a ficarem em gelatina. Gesticulo, cruzo o olhar com os dois homens que conversam no passeio em jeito de ‘Ajudem, vai bater!’, abro a boca e arqueio as sobrancelhas, meto a marcha atrás, mas as pernas não respondem. Já está.

Inspiro e Expiro.

Obrigo as pernas a saírem do carro e dirijo-me à Senhora.

‘Então, minha Senhora?’, e vejo o olho esquerdo do meu carro bem partido.

‘Então o quê? Você não viu que eu ia estacionar? Tem de me guardar distância de segurança!’

Uiiii… pensei eu, vou ter problemas aqui. Dirijo-me aos dois homens do passeio:

‘Bom dia, desculpem incomodar. Não se vão embora, por favor, preciso….’

‘Ah mas nós não vimos nada! Estávamos aqui a conversar, só ouvimos o barulho’.

Inspiro e Expiro.

Volto à Senhora.

‘Olhe, nós estamos nervosas, acabámos de bater. Vamos conversar e tentar compreender o que se passou.’

‘Nervosa? Eu não estou nada nervosa. O que se passou é que você me bateu por trás porque não me guardou a distância de segurança mesmo eu tendo sinalizado a manobra!’.

Pronto, despoleta-se uma resposta neurológica a esta ameaça e o meu sistema nervoso simpático – os nervos que controlam a nossa resposta ‘fight-or-flight’ [1] – inunda o meu corpo de adrenalina e cortisol. Sintomas: a respiração encurta, o ritmo cardíaco aumenta, os músculos retesam-se e a atenção focaliza.  

Inspiro e Expiro.

‘Escute, a Senhora bateu-me em marcha atrás. Eu estava parada quando você me bateu’.

‘Quer chamar a polícia?’.

E eu saio, por instantes, daquela cena e observo.

Eu tenho um Smart que podia estar mais limpo, é um facto. Estou de fato de treino, tenho cara de miúda e assumi que estava nervosa. A minha interlocutora tem um BMW, está na casa dos 60 e bastante bem vestida. Tem a voz posicionada, é altiva, está nervosa porque o consigo sentir, mas não o demonstra nem por um momento. É rija.

O meu carro está bem partido, o dela... não tem nada, claro.

Naquele momento, tenho quase a certeza que a responsabilidade é dela e estou bem consciente que não tenho dinheiro para pagar o arranjo… ‘E se não for? E agora estes carros todos, ficam aqui até a polícia chegar? E se a culpa for minha e eu estiver aqui a empatar a vida a esta gente toda? E se ela mentir e disser que eu é que lhe bati por trás?’

Inspiro e Expiro.

‘Ok, chame então a polícia’.

‘Chame você’.

Credo, esta Senhora é difícil!

‘Ok, qual é o número, eu não sou daqui’.

‘Também não sei’.

112… ‘Bom dia, peço imensa desculpa por vos estar a ocupar a linha (nesta altura entro em modo ‘Desculpem por respirar’). Tive um acidente, mas está tudo bem, não há feridos, só precisava que mandassem um carro da polícia ao local, pois não nos estamos a conseguir entender. (…). Muito obrigada’.

Ligo para a minha aluna das 10h. ‘Desculpa, não consigo dar aula, (…)’

‘Onde estás? Vou já ter contigo’.

Wow.

Inspiro e Expiro e começo a activar o meu sistema nervoso parassimpático, o sistema que contrabalança o sistema simpático, restabelecendo o corpo num estado de calma. Sintomas: diminuição da pressão arterial, respiração mais lenta e compassada, diminuição da adrenalina.

Com a ajuda de um senhor, a quem me fui chegando para tentar saber quem é que ia ter a responsabilidade daquilo, ajudámos os carros que estavam ali presos, a sair de marcha atrás. Depois, lá coloquei o triângulo e esperei a polícia.

O resto é o resto.

Yoga aqui, encontrei nas profundas e inúmeras inspirações e expirações que fiz, consciente de qual era o sistema nervoso que estava a dominar as minhas acções e reacções e tomando, para mim, o controlo destas. O Pranayama, é o quarto limbo do Yoga segundo Pantajali e, de forma sucinta, é o controlo da energia vital (prana) por meio da respiração. O pranayama fortalece o sistema respiratório e acalma o sistema nervoso, favorecendo a concentração.

Yoga aqui, vi na prontidão de um ser humano que me conhece há pouco mais de três meses. União. Apoio. Mão nas costas. Preciso sim, e foi bom ouvir ‘Onde estás? Vou já ter contigo’.

Adversidades e contratempos existirão sempre. É a forma como nos posicionamos, que nos distingue e ontem, o Yoga teve em mim, um papel fundamental na manutenção do meu centro inabalável. Que nunca se confunda pacificidade com fraqueza.

 

[1] Também conhecida como ‘resposta aguda ao stress’, a expressão ‘fight-or-flight’ foi primeiramente descrita por Walter Cannom em 1920 como a teoria que explica que os animais reagem às ameaças com uma descarga geral do sistema nervoso simpático. Uma das traduções possíveis é ‘lutar ou fugir’.

Quais são (afinal) os benefícios do Yoga?

Eu efetivamente acredito que o Yoga é benéfico, no entanto, depois de ler alguns artigos disponíveis sobre a temática, percebi que, para me manter coerente (comigo mesma, pois claro), não podia transcrever ipsis verbis aquilo que fui lendo.

Eu li, entre outras coisas, que:

O Yoga “aumenta a autoestima, a flexibilidade articular e elasticidade muscular, o grau de satisfação no trabalho, o autocontrole dos níveis de stress, a motivação e a criatividade, a capacidade imunológica, a potência sexual (!), a concentração, a expectativa de vida, a capacidade pulmonar e a reeducação respiratória”. Para além disto, o Yoga “melhora a qualidade de vida e a saúde em geral, o funcionamento dos sistemas orgânicos, a qualidade do sono, a qualidade da alimentação”.

Não tenciono posicionar-me contra nenhuma destas afirmações, no entanto, pondo-me no lugar de qualquer cético que esteja a ler isto, pergunto: Se isto é assim tão bom, porque é que não andamos todos aos encontrões para entrar para dentro das salas de Yoga?

Bom, creio que isso não acontece porque estes benefícios não se manifestam da mesma forma em todos os praticantes, não são imediatos e, é uma prática que pede regularidade e disciplina. Ora nós, ocidentais (ou seres humanos em geral, não sei bem), gostamos de resultados facilmente observáveis e com o mínimo de investimento possível. Creio que será esse o motivo pelo qual, os benefícios acima descritos, não são passados boca-a-boca, o melhor meio de comunicação existente, e as salas de Yoga ainda não sofrem enchentes.

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Face ao exposto e na tentativa de dar resposta à pergunta ‘Quais são (afinal) os benefícios do Yoga?’, deixo umas notas que, apesar de pecarem por defeito, não me exigem estudos e fontes que as corroborem:

- Traz-lhe uma sensação de ‘Well done!!’ de cada vez que consegue vencer a preguiça e ir à aula;

- Permite-lhe sentir o seu corpo, especialmente no dia seguinte. Quando acorda e sente os seus músculos, percebe que está vivo e é invadido por uma sensação de orgulho por ter feito alguma coisa no dia anterior;

- Tem uma hora completa só para si! Sem chefe. Sem colegas de trabalho. Sem companheiro/a. Sem filhos. Sem amigos. Passar esta hora sem todos estes personagens tão importantes da sua vida, só vai fazer com que goste ainda mais deles quando regressar (sendo que, não precisa de gostar de todos na mesma proporção!);

- Consegue medir os progressos, o que significa que, sempre que sentir o seu corpo a fazer algo que no início não fazia, vai ser inundado novamente por aquela sensação de ‘Well done!’;

- Tem cerca de 10 minutos de relaxamento profundo, o que lhe permite… bom… relaxar!;

Estes são assim os benefícios que, em princípio, ocorrem de forma imediata em todos os praticantes de Yoga e, mesmo assim, haverá certamente alguém que se enerva no relaxamento (?!).  

Se quisermos, podemos ainda considerar como um grande benefício imediato do Yoga, a forma como permite que a nossa energia vital, o prana, circule pelos nossos canais energéticos, nadis, e equilibre os nossos centros energéticos, chackras

Espero não ter perdido a sua atenção!